Fujifilm X100

Há uns anos atrás, era do senso comum que qualquer fotógrafo que ambicionasse ser mais que um amador teria que usar uma máquina reflex (pelo menos no que concerne às digitais). Eu, equipado com uma Canon 5D MkII e uma panóplia de objectivas, não era excepção.

Ainda assim, quando surgiu a primeira geração de máquinas mirrorless em 2009, não hesitei em comprar uma Olympus PEN E-P1 logo no lançamento. Agradava-me a ideia de ter uma máquina portátil, com uma qualidade de imagem aceitável, numa altura em que as compactas deixavam muito a desejar a esse respeito. Mas apesar disto, sempre encarei esta máquina como secundária; quando tinha a intenção de “fotografar a sério”, pegava sempre na volumosa mochila que continha o material da Canon.

Mas em 2011 ocorreu algo que iniciou um lento mas imparável processo de mudança: ao visitar uma loja de fotografia, por mera curiosidade, decidi pedir a um funcionário para experimentar uma Fujifilm X100.

A empatia foi imediata. A X100 tinha tudo o que desejava numa máquina para o “dia-a-dia”: os controlos manuais, a objectiva de 23mm f/2, o visor óptico híbrido, a excelente qualidade de imagem até ISO 1600 e o obturador silencioso; todas elas características que me conquistaram imediatamente. Saí da loja decidido a comprá-la, e no dia seguinte pus à venda a Olympus e as suas duas objectivas.

Apesar de entusiasmado com a nova aquisição, as primeiras semanas com a Fujifim X100 revelaram-se frustrantes. Não só pela adaptação a uma máquina muito diferente do que já tinha utilizado, como também a outro factor muito importante: a X100 parecia ter sido feita para a fotografia de rua, pelo que a encarei como um passaporte para me iniciar neste estilo de fotografia que sempre me atraiu.

Até então, as fotografias que fazia eram essencialmente paisagens urbanas, um género em que a abordagem é vagarosa e ponderada. A fotografia de rua é radicalmente diferente: para apanhar o momento certo não há tempo para pensar, é necessário recorrer ao imediatismo da intuição, tanto para enquadrar como para configurar as definições da câmera. Os controlos manuais da X100 permitem-nos criar como que uma simbiose com a máquina, ainda que seja necessário passar por uma fase de habituação e treino até que possamos manuseá-la sem pensar.

Lapa, Lisboa 2011 © Ricardo Silva Cordeiro
A primeira fotografia que fiz com a Fujifilm X100. Como ainda não estava habituado a uma máquina com tantos controlos manuais, não reparei que, ao retirá-la da mala, a tinha configurado acidentalmente para uma velociade de obturador de 1/4000. O resultado foi uma fotografia muito escura, apesar de ser em plena luz do dia. Valeu-me o excelente alcance dinâmico do sensor para salvar a imagem em pós-produção (mesmo que tenha ficado com algum ruído).

A objectiva fixa de 23mm (equivalente a 35mm nas full-frame) foi outra característica à qual tive que me adaptar. É uma distância focal extremamente versátil e elegante por ser um pouco angular, mantendo uma perspectiva natural. Mas é exigente, obriga-nos a uma desconfortável, mas necessária, aproximação aos sujeitos para obter bons resultados.

Jardim da Estrela, Lisboa 2011 © Ricardo Silva Cordeiro
Um dos meus primeiros resultados satisfatórios na fotografia de rua.

De certa forma, este sentido de exigência resume bem o que é utilizar a Fujifilm X100. Julgo que é possível afirmar que esta máquina marcou um antes e depois na minha fotografia. Fez-me sair da minha zona de conforto e ajudou-me a progredir numa altura em que sentia alguma estagnação, simultaneamente proporcionando um prazer de utilização inigualável.

Tudo isto fez com que a Canon 5D MkII fosse passando para segundo plano, apesar de contar com algumas vantagens como a rapidez de foco muito superior e as objectivas intermutáveis, características que em algumas ocasiões senti falta ao fotografar na rua com a X100. O que me levou a questionar: e se complementasse a Fuji com outra máquina? Foi este pensamento que me levou a adquirir a câmera de que irei falar no próximo artigo, a Nikon V1. Até breve.
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Sobre contextofotografico

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4 respostas a Fujifilm X100

  1. Diria mais, acho que foi uma máquina que mudou o mercado e o panorama da fotografia, forçando mais pessoas a sair a rua para fotografar e os fabricantes a fazerem máquinas mais pequenas e potentes!
    Eu fui das primeiras pessoas em Portugal a tê-la, e curiosamente vendi-a a semana passada para comprar uma micro 43🙂
    Abraço

  2. Obrigado pelo comentário Bruno.

    Foi realmente uma máquina que mudou muita coisa. Mostrou aos grandes (Canon e Nikon) que existe um mercado para outras máquinas que não dSLRs. Pena que, pelo que vimos até agora, estas duas marcas não tenham aprendido grande coisa com isto.

    Eu ainda não senti vontade de vender esta Fuji, nem sequer para trocar pela versão melhorada, a X100s. O sistema micro 43 já amadureceu e a oferta é realmente boa, quer a nível de máquinas como de objectivas. Na verdade a oferta em geral nos dias que correm é bastante boa, todas as marcas que aderiram ao mirroless têm modelos excelentes.

  3. Ana Gonçalves diz:

    Bom dia,
    Sou aluna da Escola Superior de Comunicação Social (IPL Benfica), no último ano da licenciatura Audiovisual e Multimédia, e estou a realizar uma curta-metragem no âmbito da cadeira Laboratório Audiovisual.
    Ao procurar por um local para as gravações da mesma, deparei-me com as tuas fotografias de uma casa abandonada na Tapa das Necessidades. Neste sentido, gostaria de te perguntar se me podias fornecer a morada do local exacto para que possa visitar o local, bem como informações relativas ao espaço em si: se está muito degradado, se é perigoso, se há vigilância da casa, enfim, o essencial.
    Aguardo resposta breve.
    Grata pela tua atenção.
    Cumprimentos,
    Ana Gonçalves

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