A Sony vencedora

Em 2006 a comunidade fotográfica ficou apreensiva com a notícia da aquisição pela Sony da conceituada mas decadente Konica/Minolta. Neste meio, a marca Sony não era associada a máquinas fotográficas para uso “sério”, era um nome ligado a gadgets, uma empresa que fabricava apenas máquinas compactas orientadas para o mercado de consumo. Apesar disto, julgo que mesmo as duas gigantes desta indústria, a Canon e a Nikon, se devam ter sentido intimidadas com esta notícia.

A história mostra-nos que a Sony dificilmente perde em qualquer área em que investe, e esta não foi excepção. Mesmo sendo uma estranha no meio da fotografia profissional, não receou sentar-se ao lado dos grandes, lançando logo em 2007 a full-frame Sony a900 que competiu numa área onde praticamente apenas a Canon e Nikon tinham dimensão para entrar.

No entanto a Sony não se contentou em fazer apenas mais do mesmo num mercado que há uns anos estava estagnado e saturado de modelos de dSLRs bastante semelhantes entre si. Aproveitando o facto de ser uma nova cara neste meio, com uma base de utilizadores por conquistar, decidiu também arriscar coisas novas, sendo por exemplo a grande impulsionadora dos visores electrónicos e das máquinas compactas com sensores APS-C.

Este impulso não beneficiou apenas os consumidores: numa altura em que a Canon estava no topo no âmbito da qualidade de imagem, finalmente surgiu uma empresa que oferecia sensores de qualidade equiparável e, ao contrário da Canon, fabricava-os para outras marcas. Este facto mudou bastante o mercado, muitos fabricantes implementaram os sensores da Sony nas suas máquinas fotográficas acertando assim o passo em relação à Canon.

De geração para geração a Sony tem vindo a melhorar a sua tecnologia estando agora na linha da frente nesta área: não só os sensores das máquinas Sony são excelentes, como ajudaram a fabricar o monstro de resolução que é a Nikon D800, fizeram com que as máquinas Olympus – mesmo tendo um sensor mais pequeno – tenham agora uma qualidade de imagem ao nível das reflex APS-C, ou com que a minha Fujifilm X100 me surpreenda ao conseguir um maior alcançe dinâmico que a full-frame Canon 5D MkII.

Há uns dias atrás a Sony arriscou mais um passo em frente em relação à concorrência com o lançamento de duas máquinas mirrorless com sensores full-frame: a Sony A7 e Sony A7r.

Estes dois modelos são bastante semelhantes, sendo a principal característica que os distingue a resolução dos seus sensores: 24mp para a A7 e 36mp sem filtro anti-aliasing para a A7r.

São máquinas que parecem ser o culminar do que a Sony tem aprendido com a linha NEX e, a meu ver, talvez o início de uma nova vaga de modelos com sensores grandes em corpos pequenos a preços acessíveis – o full-frame para as massas – reminiscente às Olympus OM ou Nikon FE do tempo das analógicas. Já existem até rumores sobre uma nova FE digital da Nikon

Ao observar este plano de lançamento de objectivas torna-se evidente que a Sony esteve atenta às críticas no que concerne à inicial falta de objectivas para a linha NEX. Este novo sistema será bastante completo a curto prazo, e umas Zeiss 35mm f/2.8 e Zeiss 55mm f/1.8 nunca ficam mal na fotografia.

Se hoje pretendesse investir num sistema full-frame não hesitaria em descartar as dSLR escolhendo uma destas Sony. Nem me preocuparia com a falta de objectivas dos primeiros meses ou com o preço elevado das Zeiss. Isto porque uma das grandes vantagens de uma máquina mirrorless é a possibilidade de poder utilizar virtualmente qualquer objectiva que existe através de adaptadores. Mas até hoje as mirrorless não tinham sensores full-frame para tirar total partido de objectivas tão apetecíveis como são as do sistema Leica-M por exemplo. Estas máquinas vão fazer com que muita gente finalmente possa usar as suas objectivas de colecção sem a limitação dos sensores APS-C, e o foco manual não será problema com o visor electrónico de alta resolução e a ajuda do focus peaking.

Depois de anos de aperfeiçoamento e consolidação da tecnologia digital às máquinas fotográficas, parece-me que finalmente entrámos numa era bastante mais excitante, a da experimentação. E o melhor de tudo é que me parece que ainda agora começou.

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