Máquinas digitais de culto

Com o amadurecimento da tecnologia das máquinas digitais, torna-se hoje finalmente possível observar fenómenos de culto a alguns modelos tal como acontece desde há muito com as máquinas analógicas.

Com isto em mente fiz uma lista de máquinas digitais que sempre me despertaram curiosidade e que julgo tratarem-se de potenciais objectos de colecção:

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Olympus C7070

Olympus C7070

Lançada em 2005, este foi o último modelo da gama C-XXXX da Olympus. O que sempre me atraiu nestas máquinas foi a sua robustez e as lentes zoom versáteis e de grande abertura. Apesar de hoje já existir uma vasta oferta de máquinas compactas com lentes rápidas e funcionalidades profissionais, nos primeiros 5 anos da década de 2000 esta gama da Olympus brilhava, o que fez com que o fotógrafo Alex Majoli utilizasse frequentemente estas máquinas nas suas reportagens.

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Leica Digilux 2 / Panasonic DMC LC-1

Fabricados pela Panasonic e com uma lente zoom Leica que está perto da perfeição (equivalente a 28-90mm f/2.0-f/2.4), estes modelos gémeos são ainda hoje uma referência. Tecnologicamente estas máquinas estão mais que ultrapassadas: têm o típico sensor minúsculo das compactas (e com apenas 5 megapixeis) e são muito lentas a escrever um ficheiro RAW no cartão de memória (por terem um processador lento e com pouca memória buffer). Apesar disto continuam a ser desejáveis pela já citada lente e pela usabilidade muito parecida a uma telemétrica/rangefinder. Tendo em conta que estes modelos são de 2004  e foi criado um culto imediato em seu redor, continuo sem perceber a razão de a Leica/Panasonic não considerar o fabrico de versões actualizadas destas máquinas.

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Epson R-D1

Lançada em 2004 numa colaboração da Epson com a Cosina/Voigtlander (devendo-se a isto a sua semelhança com as Voigtlander Bessa-R, esta foi a primeira telemétrica/rangefinder digital alguma vez feita. O facto de ser também uma das poucas máquinas digitais do género (para além desta existem apenas as Leica M8 e M9) e do seu fabrico ter sido muito limitado, faz com que a RD-1 seja hoje procurada para coleccionismo e seja ainda vendida por valores muito altos. Apesar de em 2009 ter sido lançada a versão R-D1x com um firmware melhorado, no seu âmago a máquina continua a mesma: um corpo herdado das máquinas de filme (tem até uma patilha para recolher o obturador entre cada disparo) com um sensor que apesar de ser relativamente grande (APS-C) tem apenas 6 megapixeis.

Quando por alguma razão visito o ebay, dou por mim a  procurar esta máquina na esperança de encontrar uma a bom preço. Sempre senti curiosidade em relação às telemétricas, mas como não tenho paciência para o filme (felizmente entrei na fotografia já na era digital, não padeço da nostalgia do analógico) a RD-1 seria perfeita para experimentar uma telemétrica tradicional sem gastar uma fortuna numa Leica.

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Ricoh GR Digital

O culto em redor das GR já vem dos tempos do filme, e a Ricoh soube aproveitar este sucesso com a adaptação para o digital. As Ricoh GR Digital são máquinas para um nicho por terem uma lente grande-angular de focal fixa 28mm f/1.9 (equivalente). A seu favor têm a lente de grande qualidade óptica, robustez e interface (que muitos dizem ser uma das melhores interfaces alguma vez criadas para máquinas fotográficas sendo por isso uma das mais intuitivas para usar). Os principais defeitos são a falta de um visor óptico (apesar de ser possível acrescentar um visor externo na sapata do flash) e o facto de terem um sensor pequeno (mesmo que a performance dentro da sua categoria seja boa).
Desde o primerio modelo digital em 2005, as GR Digital  têm vindo a ser actualizadas sendo a versão mais recente a GRD IV. Estas melhorias são apenas de teor tecnológico mantendo na essência o que torna as GR um caso de sucesso.

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Sigma DP1 e Sigma DP2

A conhecida fabricante de lentes Sigma abordou o mercado das máquinas digitais com uma inovadora (e exclusiva) tecnologia: os sensores FoveonEstes sensores são compostos por três camadas captando cada um dos três espectros de cor RGB, evitando assim a interpolação e consequente perda de resolução dos sensores tradicionais do tipo bayer. Apesar de promissora, na prática esta tecnologia acabou por deixar a desejar devido aos elevados custos de produção (levando a que as máquinas tivessem custos muito altos quando comparadas com outras equivalentes) e resoluções mais baixas do que as anunciadas pela concorrência.

Apesar do insucesso de vendas, os modelos Sigma DP1 (2006) e Sigma DP2 (2008) têm o mérito de terem sido os precursores das compactas com sensores grandes (próximos de APS-C). Estas máquinas estão equipadas com excelentes lentes de focal fixa 28mm f/4 (DP1) e 40mm f/2.8 (DP2) e com sensores foveon de 4,7 megapixeis. Esta resolução parece baixa mesmo até para 2006/2008 mas a Sigma afirma que a resolução é comparável à de um sensor tradicional de 14 megapixels (4,7 megapixels * 3 camadas do sensor = 14,1 megapixels). Na prática, isto pode não corresponder bem à verdade, mas sempre que vejo imagens feitas com estas máquinas fico impressionado com a qualidade: não é só a resolução, é a profundidade de cor e volume que as fotografias parecem ter que é fora do comum.

Neste ano de 2012 a Sigma anunciou novas versões destas máquinas de nome Dp1 Merrill e DP2 Merrill (em homenagem a Dick Merrill, criador da tecnologia foveon) que para além de melhorarem pormenores de utilização como o autofoco que era alegadamente mau nas versões anteriores, incorporam novos sensores com uma respeitável resolução de 15,4 megapixeis (15,4 * 3 = 46,2 megapixeis!).
Espero sinceramente que tenham sucesso com esta nova geração, o potencial destes sensores é enorme e gosto da ideia de máquinas iguais com lentes dedicadas diferentes.

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Leica M8 e Leica M9

Falar neste tema sem incluir as Leica M seria uma falha enorme: são máquinas de culto por excelência. Em 2006 a Leica M8 foi a primeira M digital e foi um sucesso apesar do preço proibitivo e das anomalias do sensor (ver aqui e aqui). A Leica M9 (2009) foi a primeira telemétrica/rangefinder digital com um sensor full frame 35mm (a M8 tem um com crop 1.3x) e foi um sucesso ainda maior.

As Leica M adquiriram desde há muito um estatuto de culto pela sua qualidade e passado histórico. Hoje são cada vez mais símbolos de status para entusiastas mais abastados.
Numa altura em que se espera o anúncio da nova M10, a Leica lançou a Leica M-Monochrom com um sensor optimizado para captar imagens a preto e branco que deve angustiar qualquer amante de fotografia monocromática que não disponha de 8000 dólares  para investir.

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Fujifilm X100

Quando foi anunciada em finais de 2010, a Fujifilm X100 tornou-se uma máquina de culto instantaneamente. Parecia ter tudo o que os entusiastas desejavam numa máquina conseguindo manter um equilíbrio perfeito entre design clássico e tecnologia actual.
Na prática acabou por desiludir alguns usuários por ter sido posta no mercado prematuramente: tinha vários problemas de usabilidade e velocidade. Apesar de tudo foi um sucesso enorme e foi melhorada com sucessivas actualizações de firmware que colmataram os problemas.

Este foi o ponto de partida para a gama X da Fujifilm que conta também com a Fujifilm X10 (compacta de sensor reduzido com lente zoom) e a Fujifilm X1-Pro (primeira máquina de um novo sistema de lentes intermutáveis). Apesar destes modelos serem também casos de sucesso, na minha opinião não alcançaram o mesmo estatuto de culto da X100: especificidades como a lente de focal fixa 35mm f/2 (equiv), sensor APS-C, visor óptico híbrido e obturador silencioso tornam a X100 especial, mesmo que não seja uma máquina para todos (ou principalmente por isso).

Esta lista está obviamente incompleta: para além dos modelos que ficaram esquecidos existirão certamente máquinas que outros acharão merecedoras de um estatuto de culto mas que eu não considero especiais. Um exemplo disso são as várias dSLR icónicas que surgiram desde o despontar da fotografia digital.
Pessoalmente acho que as reflex são cada vez menos entusiasmantes, até porque a nível de características são bastante homogéneas. As máquinas que mencionei na lista, apesar de terem muitos defeitos, são realmente excelentes em algo concreto tendo sempre alguma característica que as torna diferentes de todas as outras.

Sobre contextofotografico

Falar a apreciar fotografia em português.
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