Novo ano com novas máquinas (parte 2)

Como referi na primeira parte deste artigo, de entre os lançamentos de 2012, as duas máquinas de que falarei nesta segunda parte parecem-me ser, até agora, as mais interessantes deste ano. Apesar de não representarem “o estado da arte” no que se refere à tecnologia, pertencem a uma nova geração de máquinas fotográficas mais pequenas e leves, sem sistema de espelho (que acredito que mais tarde ou mais cedo se vai tornar obsoleto) e, cada uma à sua maneira, arriscam uma abordagem diferente ensombrando as tecnicamente mais evoluídas mas demasiado convencionais novas dSLR fullframe da Canon e Nikon.

Olympus OM-D E-M5

Olympus OM-D E-M5 black sivler

Com o escândalo financeiro que pairava sobre a Olympus que deixava no ar a possibilidade da extinção da sua divisão fotográfica, o lançamento da nova Olympus OM-D E-M5 parece um efusivo remar contra essa negra maré, provando que estão cá para ficar.

Quando surgiram rumores sobre um modelo digital das míticas Olympus OM, muitos começaram a sonhar com o regresso de uma máquina fullframe 35mm, compacta e monetariamente acessível, para poderem dar uso às suas colecções vintage de objectivas OM Zuiko. Mas, com a popularidade que o sistema micro four-thirds tem vindo a ganhar – tanto por parte de fabricantes como pelos consumidores – investir noutro sistema não faria sentido.

Assim sendo, a herança das Olympus OM resume-se apenas à aparência: não é uma continuação do legado OM mas antes uma homenagem a essas máquinas (como aliás já tinha acontecido com as Olympus PEN). Por trás da estética retro o design e funcionalidade desta nova Olympus é contemporâneo/digital (o que não é mau), numa evolução natural do que a marca tem feito com as suas novas PEN. Desta evolução, o que salta mais à vista é o facto de ter um visor electrónico de alta resolução embutido, mas ao atentar a outras características desta máquina conseguimos discernir o esforço que a Olympus empregou em alcançar um novo patamar nas máquinas MTF (micro four-thirds).

Depois de três gerações de PENs com o mesmo (e datado) sensor de 12MP, esta nova OM-D contém um novo sensor que não só tem maior resolução (16MP) como uma gama dinâmica melhorada e menor ruído. Junte-se o facto de ter um filtro de antialiasing menos agressivo e estar equipado com um inovador sistema de estabilização de 5 eixos, e não será difícil prever um grande salto qualitativo no que se refere à qualidade de imagem.

Outras características de interesse são um auto-foco que promete bater recordes em máquinas não-reflex, um ecrã touchscreen desdobrável e a selagem do corpo a poeiras e salpicos.

Com esta nova E-M5 será lançada também uma nova objectiva zoom 12-50mm f/3.5-6.3 com um tamanho um pouco desproporcional em relação ao corpo, mas bastante versátil no que toca a distâncias focais. Claro que pertencendo ao sistema aberto micro four-thirds, um grande ponto a favor desta máquina é a cada vez maior e mais sólida gama de objectivas que podem ser usadas, em que já constam nomes de fabricantes de prestígio como a Leica e a Voigtlander.

Fujifilm X1 Pro

Fujifilm X1 Pro

A Fujifilm, depois de ter ficado surpreendida com o enorme sucesso da Fuji X100, apercebeu-se do potencial que existe num grande (e negligenciado) mercado para máquinas digitais de estilo rangefinder* (ou telemétricas em português) a um preço mais acessível que as Leica.

Esta máquina parece realmente uma rangefinder, e isto não é só fogo-de-vista: tal como a X100 tem um design e funcionalidade clássicos, não somente no sentido de se parecer com uma máquina “de antigamente” mas por se basear num modelo de operação com controlos mecânicos e manuais iguais aos que foram usados e refinados em sucessivas gerações de máquinas até aos dias de hoje.

À primeira vista a nova X1 parece uma X100 um pouco maior e com a possibilidade de mudar de lentes, mas existem outras diferenças significativas. Talvez a maior seja a tecnologia usada no sensor: a Fuji adaptou um sensor APS-C de 16MP com a sua nova tecnologia X-Trans que permite não perder definição com a utilização de filtros de supressão do efeito “moire” e usar toda a resolução do sensor ao máximo (para mais detalhes ver a explicação oficial aqui). Outra diferença que pode passar despercebida a muitos está no tipo de obturador que é usado nesta máquina; ao contrário do obturador central de lâminas (ou íris) que é usado na X100 – mais durável, silencioso e que permite altas velocidades de sincronização com flash – a X-1 Pro contém um obturador de plano focal (ou cortina) igual ao que é usado nas comuns dSLR com todas as vantagens e, na minha opinião, principalmente desvantagens (depois de usar uma X100 algum tempo será difícil voltar a usar uma máquina com disparo barulhento sem ter a sensação que se partiu alguma coisa dentro da máquina). Para além de tudo isto podemos contar com uma necessária revisão na interface e aperfeiçoamento da disposição e dimensão dos botões.

Um dos aspectos que me deixa mais apreensivo é a falta de informação sobre o sistema de auto-foco. Se estiver ao mesmo nível do que é utilizado na X100 (que caminha numa linha muito fina entre a competência e a incompetência parecendo mais de uma máquina de 2002 do que de 2011) será para muitos uma lacuna difícil de perdoar numa máquina em que consta o termo “pro” no seu nome.

Com este novo produto, a Fujifilm reforça a ideia de estar a apostar num mercado para verdadeiros entusiastas, ao lançar em conjunto com a máquina três objectivas de focal fixa capazes por si só de fazer muitos fotógrafos aderirem a este sistema: uma grande-angular 18mm f/2, uma normal 35mm f/1.4 e uma tele-objectiva curta 60mm f/2.4 macro. Apesar de estar planeada uma objectiva zoom, o facto de não a incluírem no lançamento como kit standard da máquina parece-me, no mercado de hoje, audaz e demonstrativo da aposta na qualidade em detrimento de um simples agradar ao mercado de massas.

* Tecnicamente tanto a X100 como a X1 Pro não se qualificam como verdadeiras rangefinder, mas a experiência ao usá-las é tão similar que agrupá-las na família das Leica M, Voigtlander Bessa ou Zeiss Ikon não me parece de todo descabido.

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