Novo ano com novas máquinas (parte 1)

Quem anda atento a notícias deste género terá certamente reparado que, nestes três primeiros meses de 2012, têm proliferado anúncios de novos modelos de máquinas fotográficas. Agora, com o aparente apaziguar de novidades, aproveito para fazer aqui um balanço dos quatro lançamentos que me parecem mais relevantes.

Começando pelos dois gigantes da indústria, a Canon e Nikon avançaram as sucessoras das suas máquinas full-frame mais famosas. É de notar como as duas marcas continuam a ser bastante conservadoras no que diz respeito ao design e funcionamento que já se arrastam desde os tempos das máquinas de filme, parecendo apostar na máxima “em equipa vencedora não se mexe”. Neste aspecto a Sony tem mostrado estar disposta a arriscar mais e fico curioso em saber se é certo o rumor de que vai abandonar de vez o sistema de espelho (o que, na minha opinião, traria várias vantagens: menos partes mecânicas e móveis no interior da máquina significam ter máquinas mais pequenas e leves com menos desgaste, vibrações e ruído).

Canon EOS 5D MkIII

Canon 5D MkIII

Confesso que me surpreenderam as especificações da Canon 5D MkIII. Sempre julguei que, na gama 5D, apostavam em oferecer a máxima qualidade de imagem ao mais baixo preço possível, o que explicava como o sensor topo de gama contrastava com outras especificações mais modestas como o auto-foco ou número de disparos por segundo. Na terceira geração desta linha, a Canon aparenta ter abandonado a corrida dos mega-pixels (aumentou o número de 21MP para 22MP) dando principal atenção ao melhoramento do sistema de auto-foco (61 pontos), velocidade de disparo (6 fps.) e funcionalidades de gravação de vídeo.

A nível do sensor só futuros testes poderão revelar se, apesar da resolução ser sensivelmente a mesma, existirão melhorias no ruído em ISOs mais altos e melhor gama dinâmica. Quanto às restantes especificações, fica a dúvida se a intenção da Canon é homogeneizar cada vez mais as características dos vários modelos (o que pessoalmente não me agrada, prefiro a diversidade e diferença entre produtos para que, ao comprar uma máquina, não pague mais por características que não me interessam) ou se esta evolução tímida na verdade esconde uma estratégia de mercado que visa distanciar a gama 5D da linha profissional 1D.

Nikon D800

Nikon D800

Comparando com a Canon, a evolução do modelo de entrada de gama full-frame da Nikonparece-me, apesar de tudo, ligeiramente mais audaz. Escrevi “apesar de tudo” porque a maioria das características do modelo anterior D700 se mantiveram (que de qualquer forma eram já superiores ao da concorrente Canon 5DMkII, o que por outro lado tinha a desvantagem de tornar os modelos da Nikon mais caros); a verdadeira e mais significativa evolução está no sensor que conta com uns impressionantes 36 mega-pixels

Esta super-resolução vai de encontro à ideia daquilo que defendo que as dSLR 35mm se estão a tornar: as máquinas de médio-formato da era digital* (sendo que as verdadeiras médio-formato digitais por sua vez se equiparam ao filme grande-formato). Esta ideia é ainda mais posta em evidência devido ao facto de ser dada a opção de adquirir uma variante do modelo – a Nikon D800E – com um sensor sem o filtro anti-aliasing (que proporciona um aumento de resolução ainda maior, para os interessados este artigo tem uma boa explicação) e tornar finalmente possível fugir à tirania do formato 3:2 escolhendo o formato 5:4 (e o 1:1 ?). Com tudo isto questiono-me: se a D700 tinha 12MP e a profissional D3x tinha 25MP, com uma D800 de 36MP que sensor terá a D4x?

Apesar de parecerem ambas excelentes máquinas, nenhuma justifica uma substituição da minha Canon 5D MkII. Fico à espera de uma outra geração com uma evolução mais significativa e aproveito para partilhar algumas das características que gostaria de ver nas próximas full-frame (nalguns casos um pouco utópicos, mas não custa sonhar):
– Resolução de 40MP ou superior, sem filtro anti-aliasing;
– Sensor quadrado com formato customizável;
– Abolição total e definitiva do sistema de espelho;
Global-shutter;
– Visor electrónico de alta-resolução e monitor traseiro de 4″ ou maior.

Tendo em conta a extensão deste artigo talvez seja preferível interrompê-lo aqui. No próximo opinarei sobre as outras duas máquinas que, na verdade, me parecem bem mais interessantes: a Olympus E-M5 e a Fujifilm X-1 Pro.

* Afirmo que as máquinas 35mm digitais são as novas médio-formato porque, na minha opinião, ao oferecerem uma resolução e qualidade de imagem superiores (e com um preço também superior) tornam-se máquinas destinadas a usuários mais exigentes, tal como o eram as médio-formato no tempo do filme. Mas tenho noção que, colocando de parte a questão da resolução, o médio-formato tem outras características que o tornam especial (como os efeitos de profundidade de campo).

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